Publicado em 13/03/2026

Nenhuma novidade: o movimento identitário das mulheres cisgêneros anti-trans deu mais um passo em direção à defesa do cispatriarcado.
Recentemente, uma travesti foi nomeada para ocupar a cadeira da presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara no Brasil.
Não demorou para que o cispatriarcado reagisse a essa derrota. Seus patéticos defensores saíram em defesa do regime sexo-gênero, responsável pelo adestramento de corpos nas lógicas cis-hétero-binárias e reduzir mulheres cis a incubadoras da estrutura familiar edipiana.
É esperado que o cispatriarcado reaja à desestabilização da ideia da mulher como docilizada, domesticada, genitora e vigilante da prole humana. Afinal, esse papel é necessário para adequar os futuros trabalhadores a reproduzir a ordem social cispatriarcal.
O ridículo fica por parte da quantidade de mulheres cis fazendo coro transfóbico com o cispatriarcado contra Erika Hilton sob a justificativa de que “mulheres biológicas são as mulheres com útero, capazes de gerar vida”.
Por que tanto orgulho em reduzir toda a potencialidade dos seus corpos à função de ser incubadora do cispatriarcado?
Enquanto esse debate raso se intensifica, o Brasil segue registrando níveis alarmantes de feminicídio: em 2025, foram quatro mulheres assassinadas por dia. Ainda assim, para militantes anti-trans, a presença de uma travesti em um espaço institucional parece mais ameaçadora do que a própria estrutura que mata mulheres cotidianamente.
Diante disso, algumas dirão: “não são questões excludentes” ou até que “pessoas trans ameaçam os direitos das mulheres”. Essa inversão revela mais sobre o funcionamento do poder do que sobre a realidade. Ao direcionar a violência contra corpos dissidentes, poupa-se o verdadeiro operador dessa estrutura: o próprio cispatriarcado.
Pessoas trans não estão destruindo as “mulheres”, mas sim uma noção de gênero em que o corpo das mulheres são reduzidos a um papel de incubadoras do cispatriarcado descartando-as ao tornarem-se inférteis. Discurso este que você reforça ao afirmar que seu valor está na sua fertilidade.
Enquanto isso, você brada: “Sou uma incubadora e por isso não me representam!” enquanto nós dizemos: “Vamos acabar com a noção de que corpos devem ser reduzidos às funções reprodutivas, queremos ser mais!”.
Seria cômico, se não fosse de dar pena, ver o desejo cisgênero pela própria sujeição das suas potencialidades para servir-se como incubadora de um Cistema usando essa capacidade produtiva e reprodutiva para fazer guerras e ser negligente com a fome enquanto explora você numa escala 6x1.
Num contexto em que o cybercapitalismo está a fascistizar-se cada vez mais, o que as mulheres vão decidir?
Desejam se sujeitar ao pacto cisgênero e continuar reduzindo sua subjetividade a ser um útero disponível para um falo cismasculino?
Ou vocês se juntarão à revolução em curso de desfazer e destruir a lógica cis-hétero-binária?
Em que muitas outras possibilidades de corpos possam florescer e que a capacidade reprodutiva exista para além da heterossexualidade, deixando de reduzir sua potência a mero aparelho reprodutivo da cis-hetero-masculinidade.
Monstrifique-se.