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marcha ou marca trans?

Publicado em 18/08/2026

marcha ou marca trans?

no dia 14 de agosto a antiga organizadora da marcha do orgulho trans, que havia anunciado que não faria mais a marcha, postou sobre questões em relação à “passagem do bastão” para uma nova organização, sendo necessário trâmites burocráticos para que isso aconteça. gostaríamos de nos posicionar como coletivo anarquista em relação a isso.


no momento em que estamos vivendo, de proliferação de discursos conservadores alimentando perseguições anti-trans em países onde a extrema direita domina o estado e uso político de pânico moral sobre nós, a atitude negligente com a marcha é algo a se questionar, dado o desinteresse em fortalecer a comunidade em um contexto tão hostil a ela, restando apenas o oportunismo em cima de nossos corpos, que no momento que param de ser fonte de lucro de marcas e patrocinadores são sabotados.


enquanto o desinteresse da antiga organizadora em construir a marcha é evidente, o seu interesse com a regulação do nome da marcha aparece ao surgir outras iniciativas para a reconstrução dela, como se a marcha fosse uma marca, precisando de autorização para seu uso. isso é uma decisão de articulação política ou comercial? quais efeitos isso produz se não o de desmobilizar um movimento que deveria ser construído de forma popular e autônoma para potencializar nossas redes e territórios?


não é pelo nome e nem pelo direito a ele - até porque, quem faz questão do nome é quem privatiza-o institucionalmente pelo estado -, e sim pelo questionamento: por que entregam nossas lutas nas mãos das instituições do estado, que vigiam e punem corpos dissidentes, e de patrocinadores que nos descartam quando não somos mais lucrativos, assim como ocorreu na parada LGBTQIAP+ deste ano?


pensamos que não há qualquer produção de multiplicidade sujeita às regulações das instituições do estado ou do mercado. citamos bash back:


“Devemos criar um espaço em que seja possível ao desejo florescer. Tal espaço, sem dúvida, requer conflito com essa ordem social. Desejar, em um mundo estruturado pra confinar o desejo, é uma tensão que vivemos diariamente. Precisamos entender essa tensão pra que ela nos torne potentes – precisamos entendê-la pra que ela possa destroçar nosso confinamento.” - Leia BASH BACK! Ultraviolência Queer

os espaços onde se floresce a multiplicidade não são os de sujeição às instituições, mas sim nos de agência de construção de territórios rompendo com essa ordem social capitalística-cis-colonial.


por isso, reforçamos o chamado para construir a parada trans de são paulo:


    assembléia pública parada trans sp
  • data: 20/09/2026
  • horário: a partir das 14h
  • local: sede travas da sul - rua dr. oscar andrade lemos, 1021, grajaú